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20.8.10

A violencia é vermelha

Impressões da peça Olho da Cia Oops!.. que também fez parte da programação da revirada cultural



Semana passada, escolhi o veneno perfeito para uma noite de sexta-feira 13: a peça Olho da Cia Teatral Oops!.. (ainda não descobri o porquê desses dois pontinhos). Escolada em peças teatrais, dei uma lida no release que rolava na internet para não chegar lá e ficar boiando na historia. A encenação é uma adaptação do conto “Coração Delator” do senhor Edgar Allan Poe – um escritor que eu gosto. Não conhecia este conto e poderia tê-lo lido on line, mas preferi não fazê-lo para não ter uma ideia pré-concebida e deixar que a peça me surpreendesse. Já havia visto outra peça da Cia (Macário), mas não tinha gostado muito da atuação estilo tremelique (ou teatro físico). Como gata escaldada, não esperava grande coisa. Felizmente, quebrei a cara (viu que não é bom ter idéias pré-concebidas?).


Estava só e cheguei cedo ao Goiânia Ouro. Desci para a Rua 3 a fim de fumar alguns minutos e fiquei observando a movimentação na entrada da Galeria Ouro e o bafafá da abertura da Revirada Cultural no rumo do Grande Hotel na Avenida Goiás. Subi e aguardei mais alguns minutos no café, ainda observando as peculiaridades da estranha fauna (eu, inclusa) que frequenta teatros na cidade. A porta do teatro se abriu e eu me dirigi a uma cadeira estrategicamente escolhida para que eu pudesse tirar algumas fotos com minha câmera digital compacta. Assim que a peça começou, tentei tirar uma foto discretamente, mas o flash disparou no primeiro clique. Senti todo o teatro, incluído o ator em cena, me xingando mentalmente. Decidi fazer fotos de peças só depois que eu compasse uma câmera que preste.



O Teatro Ouro tem um palco pequeno e combinou perfeitamente com a cenografia minimalista da peça. Em cena, apenas o necessário ou menos que isso. Ali uma cadeira poderia se transformar em duas ou três ao sabor dos eventos, assim como o relógio enorme que marcava sempre meia-noite poderia indicar 4:00 da manhã sem mover um ponteiro. O ator também estava sozinho em cena, mas podia travar alguns diálogos servindo-se apenas de vozes já gravadas como se estas, talvez, estivessem apenas na mente do personagem.



Uma luz primorosa no palco contrastava com uma luz dura de uma lanterna a pilhas que o ator jogava direto na platéia ou em seu próprio olho (o que devia doer um pouco) de acordo com as nuances do texto. A trilha sonora, composta especialmente para a peça me fez arrepiar em vários momentos. Quanto à atuação, na minha opinião, foi muito boa. Ainda se via os preceitos do teatro físico, mas sem os tremeliques excessivos que vi em Macário.



No momento em que descreve seu crime, o mordomo (nem Poe conseguiu fugir desse clichê) usa um lenço vermelho no lugar do cadáver. Se a magia do cinema está em dar movimento a coisas imóveis, a magia do teatro está em firmar um pacto entre ator e audiencia no qual o primeiro finge que é e o segundo finge que acredita que é. E como eu acreditei naquele fingidor! Olhar aquele lenço enquanto ouvia aquelas palavras de ódio foi quase repugnante. Adorei.

Aguardem novas atuações e insultos*.

Goiânia, 16 de agosto de 2010

*este texto vai figurar na minha coluna atuações do insulto.org. infelizmente não pude sincronizar a publicação do texto com a peça ainda em cartaz. estamos (insulto e eu) resolvendo esse tipo de atraso.

19.10.09

Teatro Tremelique ou Teatro Físico

não gosto muito de teatro tremelique em que um ator faz a fala e outro fica tremendo e dando trela sem razão aparente. assim foi a peça macário da cia de teatro oops! que assisti nesta última quinta no teatro ouro.



chegamos cedo, xuxu e eu, e compramos duas inteiras por módicos R$20,00. subimos para antessala/bar do goiânia ouro e ficamos esperando as portas da sala de teatro se abrirem. demorou e quando, finalmente, resolvemos beber alguma coisa, as pessoas começaram a entrar. bebi minha coca zero gelada muito depressa e fiquei com a cara latejando.

mal entramos e, no meio da plateia, damos de cara com um ator dando trela, falando coisas ininteligiveis e se sacudindo todo. do lado do palco um carinha martirizava um baixo, tirando sons repetitivos (parecia que afinava infinitamente o instrumento) e, às vezes, legais. a peça começou e mais tremeliques se seguiram.

o texto era do álvares de azevedo e, portanto, bom. a tremeção só fez sentido para mim, quando o fausto goiano (pois os atores não conseguiram superar totalmente o sotaque) estava com frio por causa de uma janela aberta. estavam todos bem ensaiados e a interpretação me satisfez. no mais achei as masturbações e simulações de sexo fora do contexto e apelativas.

cenário, iluminação, figurino foram aceitaveis. a maquiagem poderia ser mais consistente. a taberneira foi chamada velha senhora, mas tinha cara de debutante. nada que um panqueique e um maquiador não resolvesse em dois tempos.
o fato de não haver microfones para os atores e o som da trilha ser toda amplificada dificultaran bastante o entendimento em algumas partes, principalmente quando os atores falavam virados para o fundo do palco.

o fim foi meio solto: o público não sabia exatamente se tinha acabado ou se tratava de mais uma pausa.

achei o espetáculo imaturo, mas isso também não é motivo de alarde, nada que o tempo e algumas rugas a mais na cara da cia oops! não curem.