trissílaba olhando minha mãe dormir.
foto em negativo preto e branco
gosto de doces e gatinhos. se você não gosta de nada disso, vá embora!

quem não conhece dom quixote de la mancha? a imensa maioria das pessoas, se não leu o livro de cervantes, pelo menos, já ouviu falar dele. a imagem de um cavaleiro magérrimo e maltrapilho lutando contra moinhos de vento já faz parte do imaginário popular. ainda não li tal clássico, mas a mensagem mais conhecida do livro seria: seja lúcido e não escolha batalhas que sejam impossíveis de se ganhar. minha mais recente aventura pelo mundo do orkut, depois de muito esmurrar e esbravejar contra moinhos virtuais, me fez lembrar do insensato cavaleiro de la mancha. se você não está a par desses acontecimentos, leia o post do dia 13 de fevereiro.

- Chama o Vlad para limpar isso aqui, disse o sub-sub-gerente.
- Vladimir, precisam de você no salão, gritou o subalterno entortando a boca para o lado, quase cuspindo na cara do sub-sub-gerente.
Do fundo da cozinha, um homem alto se levantou de um banco baixo e se dirigiu ao balcão, empurrando um carrinho de limpeza.
- Alguém derramou refrigerante no chão. Limpe antes que escorreguem nele e processem a gente.
- Era diet ou normal?
Vlad tinha essa mania estranha de sempre querer saber que tipo de refrigerante as pessoas tomavam. Talvez achasse que pudesse classificar a humanidade em gente que bebe refrigerante normal e quem prefere tomar refrigerante dietético. Devia achar também que existia uma terceira categoria: a das pessoas que não bebem refrigerante, mas esta seria uma anomalia nos dias de hoje.
O faxineiro cruzou o salão semi-vazio até chegar à pequena poça de Coca Zero. Perto da porta, três pessoas comiam animadamente três MacLanches Felizes. Pareciam embriagados. Vlad pegou seu esfregão e, com seus olhos azuis extremamente claros, encarou por alguns segundos a pocinha de aspartame e ciclamato. Enquanto enxugava o chão, era observado pela mais jovem do MacTrio.
Vlad usava um uniforme da equipe de limpeza, porém algo nele fazia parecer que vestia um terno caro. Ele tinha que dobrar bastante a coluna para esfregar a Coca Zero, pois era alto como poucos o são. Os cabelos longos ficavam amarrados em um rabo frouxo na altura da nuca. Se gostasse de matemática, a garota diria que cerca de 30% dos cabelos daquele homem eram brancos e o resto de um preto sem igual, mas ela não era boa com números. Segundo sua carteira de trabalho, Vlad tinha quase a mesma idade do pai dela e, ainda assim, aquele era seu primeiro emprego registrado.
Com o chão seco, começou a empurrar seu carrinho de volta e, ao passar pela garota, lançou-lhe um olhar. Os olhos dele se cruzaram com os dela e uma espécie de arrepio incontrolável lhe percorreu todo o corpo, obrigando-a a se endireitar na cadeira. Ele não chegava a ser bonito, mas ela se sentiu bastante atraída por ele. A imagem de Vlad envolvendo-a com seus braços longos e bem-feitos, abraçando seu corpo magro, passou como um flash em sua mente e fez brotar nela um desejo latejante. Desconcertada, desviou o olhar e encarou o casal à sua frente, esperando uma reprovação pouco provável.
- São 4:00 horas. Vou trocar de roupa e ir embora.
O sub-sub-gerente, sem tirar os olhos do caixa que estava fechando, abanou a mão displicentemente num arremedo de aprovação.
Vlad colocou seus jeans velhos, o tênis meio sujo e vestiu a camiseta comprada na feira que acontece toda terça à noite perto da sua casa. Passou pelo sub-sub, se dirigiu até o estacionamento e se sentou perto do jardim para fumar um cigarro preto sabor canela. No caminho, sequer reparou no MacTrio que comia o resto das batatas. A garota mais nova sentiu a presença dele passando por suas costas.
Os três jovens terminaram o lanche, passaram pela porta do Mac Donald’s que foi trancada atrás deles e subiram a Avenida 85 com o som do carro num volume alto. Vlad, que estava escondido até então, voou atrás deles. O carro não ia tão rápido e Vlad podia segui-los em uma altura razoável. Logo após o cruzamento com a T-9, o carro virou à esquerda e parou em frente a uma casa próxima aos blocos do Marista. A garota desceu e mal teve tempo de fazer um tchau com a mão, pois o carro arrancou muito depressa.
- Devem estar loucos para ficarem sozinhos, pensou ela.
Olhou dentro da bolsa a procura das chaves e levou um susto ao dar de cara com Vlad que estava atrás dela. Sentiu o mesmo arrepio lhe percorrer toda espinha e ouriçar os pelinhos das bochechas. Vlad passou o braço esquerdo pela cintura dela e agarrou sua nuca com a grande mão direita. Com o coração batendo forte, a garota inclinou a cabeça para trás e se entregou num abraço sensual e apertado. Ele sentiu toda energia vital dela aquecer seu corpo frio. Inalou, em um só fôlego, todos os perfumes que emanavam dela, lambeu-lhe o pescoço para umidecer a pele e mordeu com fome.
Enquanto voava para casa, Vlad pensou como era bom ter um emprego não muito difícil, num horário aprazível e que ainda oferecia refeições gratuitas.
parar de fumar. esta eh a primeira da imensa lista de resolucoes de ano novo. sempre, na virada do ano, penso no que posso fazer para melhorar minha vida e tento por em pratica, mas nunca cheguei a escrever o que queria da vida nova como fiz neste ano.

A alemã Ramona Markstein deciciu colocar uma câmera fotográfica no pescoço do seu gato para ver que imagens o bichinho produziria. A máquina tira fotos automaticamente a cada 15 segundos durante 1 hora.
quando você quiser realmente espancar alguém com uma chinela havaiana, não bata com a parte frontal ou com o verso do calçado. use sempre a lateral. as havaianas são muito flexíveis e, se usadas da primeira forma, anulam quase toda a força imprimida ao golpe.
irritante.
às vezes, minha tristeza é tão grande que não cabe em mim. não apenas eu, mas toda a humanidade é desgraçada. aliás, não só a humanidade, mas o mundo todo fica despido de qualquer traço de felicidade.
a criança, no colo do pai, chora inconsolável por não poder comer todos os doces da vitrine. o mendigo dorme com medo de ser morto durante a noite. até os gatos do telhado sofrem com a fome, enquanto os gatos do apartamento imploram para passear por dois minutos pelo corredor.
se eu estou triste e você não, é porque ainda não viu as coisas como realmente são. a felicidade é um placebo que digerimos sabendo exatamente o que é. pílulas de farinha que alimentam nossa auto-ilusão. momentos de fato felizes, raros, são paliativos forjados, sucedâneos de paixão, alegria e graça.
não consegui completar o semestre na faculdade? tudo bem. pelo menos, neste período, não tenho aulas todos os dias. se não tenho aula na quarta e sim na sexta, é melhor. posso ir ao cinema em um dia mais barato. pois não? ah, tá. agora o horário mudou e eu tenho as sextas livres. ok. assim eu... gasp! desculpe, me engasguei com a cápsula. prometo que engulo em dobro a próxima dose.
"Anayara

ontem, logo após o almoço fomos meu xuxu, um amigo e eu até o clube oásis, que fica na parte mais baixa da avenida t-9. os dois fofinhos (os chamo assim porque estão ligeiramente acima do peso) foram lá para fazer matrícula na aula de natação. os malucos colocaram na cabeça que iriam nadar de madrugadinha, antes de ir trabalhar. O negócio foi tão sério que, na noite anterior, fomos ao shopping para comprar sunguinhas e touquinhas e, assim, todo mundo fazer aulinha bem arrumado.
chegando ao clube, descemos do carro e, na portaria, perguntamos sobre preços e horários. os dois decidiram que fariam as aulas lá por ser o lugar mais barato perto da casa deles. quando pensávamos em ir embora, caiu uma chuvarada com direito a rajadas de vento e pedrinhas de gelo. resolvemos esperar a chuva diminuir para depois sair.
estávamos em uma varandinha que fica no prédio da portaria, dos banheiros e da administração. de lá, víamos as piscinas e o muro de dois metros de altura que separa o clube da avenida t-9. na parte mais baixa, após as piscinas, existe um córrego que passa por baixo da avenida e recebe toda água da chuva que escorre por lá. observando a rapidez com que a vazão da água aumentava, notei algo que parecia a traseira de um carro boiando do outro lado do muro. subi na murada da varanda e constatei que realmente um carro estava boiando em plena avenida t-9!
ficamos todos, nós e alguns funcionários, comentando o inusitado enquanto a enxurrada aumentava e se aproximava do topo do muro. minutos depois, uns dez metros de comprimento do muro caíram como uma imensa fatia de bolo e foram seguidos por uma enorme quantidade de água densa cor de chocolate. só vi neguinho gritando e correndo do tsunami goiano. meu xuxu me chamou gritando porque eu fiquei para trás com cara de boba vendo a água invadir e sujar as piscinas do clube. quando olhei na direção onde estavam as outras pessoas, não vi ninguém. eu sabia que ali, na varandinha, estava segura, mas o resto do povo achou melhor não ficar a três metros de onde a água passava rapidamente, levando tudo que estava em seu caminho.
o carro que boiava não foi levado pela força da água, pois estava próximo à parte do muro que não cedeu por ser mais nova. aquele trecho foi erguido no ano passado, depois que um audi, em um dia de chuva como ontem, resolveu fazer uma aulinha da natação no corguinho do clube. as equipes de reportagem chegaram alguns minutos antes dos bombeiros que vieram pescar o carro que ainda estava na parte alagada da avenida.
um funcionário do clube me disse que, da outra vez, demoraram uns três meses para limpar toda a sujeira da piscina com um baldinho porque a administração não quis gastar dinheiro com uma empresa especializada. a chuva diminuiu e fomos embora enquanto meu xuxu reclamava da vida por ter gastado dinheiro com sunga e touca e por não poder fazer natação em um lugar barato.
Sem enrolações, é o seguinte:
Pelas regras dos fazedores de carnaval, a nudez explícita(?) é proibida e tira da escola de samba 0,5 ponto por cada integrante que desfilar com sua vergonha à mostra. Mas, tanto faz se a genitália feminina estiver coberta ou não na Marquês de Sapucaí. Aquele pedacinho de 20cm x 20cm de pano (ou plumas, ou lantejoulas ou até ferro), ficam praticamente invisíveis quando olhados da arquibancada ou pela tv. Contanto que a referida e visada esteja raspada, não faz diferença se o tapa-sexo faz parte ou não das ultra erotizadas fantasias de carnaval.
A racha, vista de frente em uma mulher magra de 1,73m de altura, mede pouco mais de três centímetros*. Não lhe dou uma medida de área porque a largura da bichinha é tão pequena que ela só pode ser medida linearmente. Três míseros centímetros. Isto equivale a 1,7% da altura do corpo feminino. Não chegam a 2%! E o povo empomba se as peladonas do carnaval estão sem o tapa-sexo. Porém há um outro motivo para tamanha implicância.
O problema são os pingulins. Nesses tempos de igualdade entre os sexos, se a mulher pode, o homem também deve poder. E a maioria das pessoas não quer ver por aí um pênis brincando de iô-iô escoltado pelo desajeitado saco escrotal. A nudez masculina é agressiva aos olhos, explícita e externa. Nada de coisinhas escondidas por entre as penas. A genitália do homem, em relação à feminina, é grande. E balança! Já viram como os carros alegóricos se movimentam ao som do samba? Pois é, as minhoquinhas, se soltas, irão sambar daquele jeito.
Uma verga grande e ereta, pronta para a ação, indica grande excitação e virilidade. Pense agora o que significa um pintinho murcho que ulula alegremente por aí. Por isso, para não expor tanta gente a tal visão embaraçosa, os juízes do samba tapam as delas só para não ter que ver os deles.
*adivinhe de quem são essas medidas.
uma vez, ouvi dizer, na aula de filosofia, que toda relação humana envolve uma luta pelo poder. que sempre haverá um dominante e um dominado, uma desigualdade entre as partes. eu discordo do pensador em questão. eu acredito que nem todas as relações são assim – apesar de muitas serem.
porém, analogamente (falei bonito, hein?), se analisarmos bem, todas as relações humanas são desiguais. não é raro o garoto gostar mais da namorada do que ela gostar do namorado e vice-versa. eu conheci um cara que comprou uma casa para morar com a noiva e, logo depois, descobriu ela realmente levava o namoro a sério. só que com outro cara.
há outras pessoas que tem o amigo em um pedestal enquanto este as guarda na casinha, com seu cachorro preferido. não tem como se amar igualmente. e sobre aquela balela que sua mãe lhe ama tanto quanto a seu irmão, esqueça! quando um nazista pedir para ela escolher qual dos filhos deve morrer senão todos morrem, ela vai escolher aquele que ela gostas mais. a sorte dela é que o bastardinho vai bater as botas e ela não vai ter que ouvir nenhuma reclamação a respeito disso.
ontem, um amigo me ligou dizendo que estava perto da minha casa e perguntou se poderia passar aqui para me visitar. fiquei ansiosa. fazia um tempinho que a gente não se via e eu fiquei com medo do ficar sem assunto para conversar com ele. mesmo assim, disfarcei minha insegurança e falei para ele vir.
enquanto ele não chegava, fiquei imaginando sobre o que falar. acredito que não sou muito acostumada a conversar sobre qualquer coisa apenas para azeitar as relações. para você ter uma idéia, nesse mesmo dia, almoçamos somente eu e a garota que trabalha aqui em casa. essa refeição, que costuma ser agitada pela tagarelice da minha mãe e da minha irmã, transcorreu em um silêncio quase sacro. acho que até os gatos ficaram sem assunto e foram dormir.
sou um tanto calada. não costumo falar sobre amenidades, mas, pensando bem, acho que hoje, especialmente, não estava muito a fim de conversas. acabei de me lembrar que, logo após o almoço, entrei no messenger para conversar com meu xuxu e também fiquei sem assunto. eu estava on line e ele também, no entanto, no messenger, só houveram saudações e despedidas – um hiato cibernético.






